Delegação da APES participa de Seminário e Reunião de Setor do ANDES

07/12/18

Docentes de todo país participaram, durante o fim de semana, do Seminário Interno e da Reunião Conjunta de Setores do ANDES-SN.
Os encontros aconteceram nos dias 30 de novembro e 1 e 2 de dezembro, em Brasília (DF), e a APES esteve representada pelas professoras Marina Barbosa, Lorene Figueiredo e Lisleandra Machado, e pelo professor Augusto Cerqueira.

Na Reunião Conjunta, realizada no domingo, destacou-se o relançamento da Frente Nacional Escola Sem Mordaça, e as ações para construção de um fórum em defesa das liberdades democráticas. Como ações, deliberou-se pela continuidade do trabalho de construção das frentes amplas para unidade de ação e da construção de matérias para a defesa das IES públicas.
Para a professora Lorene Figueiredo, tanto a Reunião dos Setores quanto o Seminário Interno “nos ajudou a trabalhar o calendário da transição do final de 2018 para o início do ano que vem. Foi possível sistematizar um conjunto de ações que as sessões sindicais estão desenvolvendo, e potencializar a nossa capacidade de pensar e articular atividades que possam agregar tanto os nossos quadros de professores e servidores públicos das universidades , quanto da sociedade civil.”
O Seminário Interno, que antecedeu a reunião, teve como tema “Reorganização da classe trabalhadora diante dos desafios do período”. Para o professor Augusto Cerqueira, da APES, “os debates ocorridos no seminário foram fundamentais para fortalecer nossa compreensão da conjuntura atual e, portanto, nos preparar para as ações no próximo período, que deverão ser propostas e deliberadas no próximo Congresso do Andes em janeiro de 2019”.
Confira quais foram as principais atividades e discussões do Seminário .

Análise de Conjuntura
A primeira atividade do Seminário “Reorganização da classe trabalhadora diante dos desafios do período”, na manhã de sexta, foi a mesa “Conjuntura e os Desafios da Reorganização da Classe”, com os professores Mauro Iasi e Plínio de Arruda Sampaio Filho. Ambos destacaram os elementos estruturais da crise do capital que refletem na condição política no Brasil, na América Latina e no mundo. Quanto às perspectivas para 2019, o professor Plínio de Arruda destacou que os elementos macroeconômicos atuais indicam estagnação econômica no próximo período. O professor avalia que tal situação pode levar a um grande descontentamento da população com o novo governo já nos dois primeiros anos. Por outro lado, o professor Mauro Iasi destacou que, mesmo com os problemas econômicos, o governo ainda pode manter um bom índice de aprovação em função de ações relativas à pauta conservadora. O professor também alertou para o fato de que o governo tenderá a perseguir as organizações e movimentos sociais do campo progressista.

Sessões sindicais
Os Grupos de Trabalho se reuniram na parte da tarde, na Faculdade de Educação da UnB. Os participantes compartilharam informações sobre as ações realizadas pelas sessões sindicais em relação a reorganização da classe trabalhadora e discutiram sobre os principais desafios nesse contexto. A maioria das sessões sindicais estão trabalhando localmente para construção de frentes amplas de resistência, e muitas iniciando esse processo através da Frente Escola Sem Mordaça.

Desafios para a educação, instituições e carreira
No sábado pela manhã, a mesa “Desafios para a educação superior no Brasil (Universidades, Institutos Federais e CEFET)” com o presidente do ANDES, professor Antonio Gonçalves, e com professor Alejandro Gorgal (Uruguai). O professor Antônio Gonçalves destacou os diversos elementos presentes no programa do novo governo, e que configuram-se como ataque à educação, as IES públicas e aos professores e professoras. Entre esses elementos, o professor mencionou: a ampliação do ensino a distância em todos os níveis; o fim das cotas para ingresso nas instituições públicas; a cobrança de mensalidade nas IES públicas; a nova carreira, que rebaixa ainda mais as categorias da educação; o fim das bolsas de assistência estudantil; a maior dificuldade no processo de progressão de docentes; os ataques à autonomia administrativa; a perspectiva de modificação do processo de eleição de reitores; ente outras. No âmbito da América Latina, o professor Alejandro Gorgal destacou que as universidade públicas também têm sido alvo de ataques em diferentes países.
O seminário encerrou, na tarde de sábado, com uma mesa sobre segurança nos sindicatos conduzida pela advogada Marcelise Azevedo, da assessoria jurídica nacional do ANDES-SN, e com uma oficina sobre segurança digital.