Em todo o país, mulheres dizem não ao conservadorismo. Diretora da APES aponta o ato em Juiz de Fora e em todo o país como histórico

02/10/18

 

No último sábado, dia 29 de setembro, cerca de 20 mil trabalhadoras e trabalhadores estiveram nas ruas do centro de Juiz de Fora para protestar contra o fascismo, a violência, o racismo, a LGBTfobia  e a onda conservadora e reacionária que ameaça a democracia no país, no ato que envolveu todo o país sob o mote “Elenão”. A APES esteve presente engrossando a manifestação e prestando seu apoio. Para a professora Raquel Von Randow, da direção da APES, o ato entra para a história como marco de resistência das mulheres. “Faltando seis dias para o primeiro turno das eleições presidenciais, este ato nas ruas se estende às urnas, quando se opõe a uma plataforma eleitoral específica que ameaça a integridade de mulheres, quilombolas, indígenas, LGBTIs e avança na retirada de direitos da classe trabalhadora”, disse.
Em Juiz de Fora a manifestação foi  suprapartidária, organizada pelo Movimento 8M/JF, coletivos e mulheres independentes com pauta única: todas e todos contra o fascismo.

 

       Em todo o país

Milhões de mulheres de todo o país saíram às ruas. As manifestações ocorreram em mais de 200 cidades brasileiras, em 26 estados e no Distrito Federal. Os docentes das instituições de ensino atenderam ao chamado do ANDES-SN, via seções sindicais e secretarias regionais, e se somaram às mobilizações.

As manifestantes portavam cartazes, camisetas e bandeiras com frases sobre a luta contra o machismo, a LGBTfobia e o racismo. Também houve adaptações de músicas como a canção italiana “Bella Ciao”, hino da resistência guerrilheira contra o fascismo de Benito Mussolini, durante a Segunda Guerra Mundial.

A mídia comercial e as polícias tentaram diminuir a magnitude do ato, porém as imagens divulgadas nos telejornais e redes sociais mostraram o contrário. No Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, o movimento organizado pelas mulheres reuniu mais de 200 mil pessoas. A concentração foi na Cinelândia e os manifestantes se dirigiram para a Praça XV, também no centro da capital fluminense. Um palco foi preparado para apresentações teatrais e shows. A comunidade acadêmica das universidades federais Fluminense (UFF) e do Rio de Janeiro (UFRJ) estiveram presentes no ato.

Em São Paulo, a concentração ocorreu no Largo da Batata e o ato contou com mais de 500 mil pessoas. Já em Brasília, as manifestantes saíram da Rodoviária do Plano Piloto e caminharam pelo Eixo Monumental até a Torre de TV, ponto turístico da capital federal. Mais de 60 mil pessoas participaram. Nas capitais Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG) mais de 100 mil pessoas participaram de cada uma das manifestações. Em Porto Alegre (RS) a participação estimada é de 25 mil. Houve grandes atos no interior do país com participação de dezenas de milhares de pessoas, em cidades como Juazeiro do Norte (CE), Campina Grande (PB) e Campinas (SP).

Em Curitiba, no Paraná, estima-se que mais 50 mil pessoas participaram do ato, que se concentrou em frente à faculdade de direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em Maringá (PR), a comunidade da Universidade Estadual de Maringá (UEM) participou da mobilização que contou com a presença de mais de 5 mil pessoas. Em Pelotas (RS), a população ocupou o largo do Mercado Público contra o fascismo.

Em Santa Maria (RS), mais de 10 mil pessoas marcharam no centro da cidade, na maior manifestação popular da cidade desde junho de 2013. A comunidade acadêmica da Universidade Federal de Santa Maria (RS) se somou ao ato, assim como os docentes de diversas instituições de ensino do país que estavam na cidade gaúcha para participar de eventos que o ANDES-SN organizou no final de semana: o Seminário sobre Capacitismo, o painel sobre o Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto  e as reuniões de Grupos de Trabalho do Sindicato Nacional.

Fonte ANDES-SN. Leia mais