Entidades realizam mesa unificada sobre os 30 anos da Constituição Brasileira

06/12/18

Qual a potência de um texto diante dos fatos? Há razões para celebrar a Constituição federal de 1988 diante do cenário que se descortinou depois e a partir dela?  Como e por que o texto de 1988 foi compreendido como uma “constituição cidadã”? E quais os desafios colocados por e para este texto na disputa por um projeto de país?

As diferentes abordagens trazidas pela professora Joana Machado e pelos professores Ignácio Delgado e Felipe Maia tentaram mapear respostas possíveis a esses e outros dilemas, que emergem em um contexto no qual os princípios básicos do texto constitucional sofrem duras ameaças. Os participantes abordaram as possibilidades abertas pela Constituição Federal para grupos e demandas até então excluídos da democracia brasileira, e analisaram de que maneira, no cenário atual, a existência do texto normativo mostra-se insuficiente para o exercício pleno dos direitos, tornando necessária a crítica, a militância e a organização da sociedade civil.

A conversa “Democracia e os 30 anos da Constituição Brasileira” foi a primeira ação unificada entre administração superior da UFJF e as entidades sindicais de docentes e técnico-administrativos, APES e Sintufejuf, após um encaminhamento nacional do setor da educação de fortalecimento de ações conjuntas. O DCE, entidade representativa dos estudantes, não participou desta atividade por estar em processo de eleição da nova gestão.

 Ação conjunta

 Na mesa de abertura, os representantes da UFJF, APES, Sintufejuf e Sinasefe lembraram que eventos neste formato unificados ocorreram no dia 4 em diversas universidades do país. Todos os representantes alertaram para a necessidade de fortalecimento desta frente ampla diante de um governo que, como reforçou o representante do Sintufejuf, Flávio Sereno, já anuncia explicitamente os ataques que pretende praticar contra a educação pública e de direitos historicamente conquistados.

Nesse sentido, o reitor da UFJF, professor Marcus Davi, chamou a atenção para as recentes ameaças à liberdade de cátedra, ao modelo de financiamento da educação das universidades, ao processo de democratização do acesso e permanência de estudantes nas universidades e à carreira dos funcionários públicos federais. Como expôs o professor Augusto, da APES, este movimento conservador, produtor e reprodutor desses discursos de ameaça, cresce no bojo da crise do capital e coloca em ação uma cruzada moral, que tem como objetivo cercear liberdades, criminalizar movimentos sociais e rebaixar as condições de vida da massa da população. Daí a necessidade de retomar o tema da democracia neste contexto.

Campanhas em defesa da educação

Durante o evento, foi exibido um vídeo que está em processo de finalização referente a uma campanha das entidades ligadas à ANDIFES, com o objetivo de sensibilizar e informar a sociedade brasileira sobre a importância das universidades públicas. Em seguida, a Diretoria de Imagem Institucional da UFJF lançou sua campanha “UFJF Presente”, mostrando a presença da Universidade no dia a dia de Juiz de Fora e região, com seus trabalhos de Pesquisa, Extensão e Cultura.

A APES também está realizando uma campanha de valorização do trabalho docente, contando um pouco da importância do trabalho exercido nas instituições federais de ensino para a sociedade brasileira. Os vídeos estão sendo gravados com professores e professoras da UFJF e do IF Sudeste MG e estão reunidos na página da APES.

Representante da APES, professor Augusto Siqueira, media a mesa com professora Joana Machado e professores Ingnácio Delgado e Felipe Maia