O presidente do ANDES-SN, professor Cláudio Anselmo de Sousa Mendonça, esteve em Juiz de Fora na quarta-feira, 17 de junho, para uma conversa com a base da APES e para tomar conhecimento da situação do Colégio de Aplicação João XXIII. A unidade da UFJF foi obrigada a deixar suas instalações por conta dos efeitos das fortes chuvas que castigaram Juiz de Fora em fevereiro deste ano.
Na escola interditada e no novo espaço
No início da tarde, Cláudio, junto de representantes da APES, esteve no prédio interditado, em uma visita que contou com as explicações do diretor do Colégio, professor Felipe Bastos, mostrando os pontos críticos nos barrancos, situados nos fundos do espaço do colégio e os riscos de desmoronamento. Logo após, o grupo se dirigiu às atuais instalações, na rua Espírito Santo, onde foi possível passar por salas de aulas e as demais dependências, ouvindo os relatos e as reivindicações de professores e professoras.
Durante as conversas, de uma maneira geral, os docentes relataram que as condições do prédio estão muito aquém daquelas adequadas para as atividades de ensino, pesquisa e extensão, apresentando problemas com a acessibilidade, acústica inadequada, falta de ventilação e luz solar. Problemas que afetam diretamente a qualidade do trabalho docente, bem como o aprendizado dos estudantes. Foram relatados ainda problemas respiratórios, alérgicos e até de natureza mental, em professoras e professores do Colégio.
O presidente do ANDES-SN relatou sua experiência como professor do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Maranhão, expressou a solidariedade do Sindicato Nacional aos problemas enfrentados pelos docentes e afirmou que pretende levar a questão específica do CA João XXIII para a próxima reunião com a Andifes – Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior e também para dentro das Mesas de Negociação com o Governo Federal.










Conversa na sede da APES
Na parte da noite, o presidente do ANDES-SN esteve na sede da APES para uma conversa sobre a carreira docente, a precarização do trabalho, o Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) e os rumos do Acordo de Greve. O encontro contou também com a presença do presidente da APES, Jean Ramos.
Durante sua exposição, Cláudio abordou as transformações do mundo do trabalho a partir das crises do sistema capitalista, destacando os impactos da racionalidade neoliberal e da chamada “nova cultura do capitalismo” sobre as condições de trabalho. Segundo ele, esse contexto tem intensificado a precarização e o excesso de trabalho, afetando diretamente a saúde mental dos trabalhadores.
Ao abordar a realidade das universidades, o presidente do ANDES-SN ressaltou como a lógica produtivista e as limitações orçamentárias têm impactado docentes e discentes, comprometendo tanto o desenvolvimento acadêmico quanto as condições de trabalho, citando, inclusive, a pesquisa do ANDES-SN sobre saúde docente e condições de trabalho. Também criticou o fortalecimento de práticas individualistas e a busca por privilégios em detrimento da organização e da luta coletiva. Outro ponto destacado foi a nova regulamentação das atividades docentes, marcada, segundo ele, pela falta de clareza nos critérios e métricas utilizados para avaliar o trabalho realizado.
Cláudio também enfatizou a necessidade de uma carreira estruturada, capaz de garantir dignidade, valorização e desenvolvimento profissional aos docentes. Nesse sentido, apresentou os elementos que considera fundamentais para uma carreira única: formação continuada, eliminação das classes, valorização por tempo de serviço e regime de dedicação exclusiva. Além disso, destacou como princípios norteadores a integralidade, a qualidade, a autonomia e a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
Por fim, defendeu a criação de um Piso Salarial Profissional Nacional para todos os docentes, da educação infantil ao ensino superior. Segundo ele, é fundamental construir um piso capaz de unificar as pautas da categoria e fortalecer a luta por valorização profissional. Cláudio também abordou a necessidade de mudanças na estrutura da carreira docente, defendendo sua reorganização com base nos acúmulos da categoria que foram construídos ao longo dos anos.


