MEC anuncia a construção de nova sede do CA João XXIII no campus da UFJF

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou no dia 16 de outubro, em Juiz de Fora, um investimento de R$30 milhões de reais para construir uma nova sede do Colégio de Aplicação João XXIII. O prédio original foi inviabilizado pelas chuvas e deslizamentos de fevereiro. No momento, os estudantes se dividem entre o campus da UFJF e o Colégio Pio XII.

Segundo o Ministro, a nova sede pode ser construída no campus da UFJF, a depender do projeto e outras avaliações de viabilidade, como arquitetura e questões de trânsito no entorno da universidade. Leonardo também disse que a expectativa é que fosse oferecido ensino integral no Colégio. Questionamos a reitoria sobre as informações referentes às contratações para que isso seja viabilizado, que respondeu “neste momento, ainda não há definição divulgada sobre a necessidade de novas vagas docentes ou a realização de concurso público especificamente em razão dessa mudança. Eventuais necessidades de pessoal serão avaliadas conforme a definição do novo modelo de funcionamento e da estrutura da unidade.”

O projeto arquitetônico segue modelos já prontos do MEC. O anúncio contempla a construção da nova unidade com as salas de aula, laboratórios e quadra poliesportiva. Segundo a reitoria, embora essa estrutura já venha pronta, a definição completa dos ambientes e espaços que irão compor a nova sede ainda está em elaboração, e que “não é possível antecipar, neste momento, quais estruturas adicionais serão contempladas.” A reitoria também afirma que o MEC usará outros projetos de outras escolas, construídas em outros locais, para a construção da nova estrutura do CA João XXIII.

A definição exata do local dentro da UFJF onde a nova sede será construída ainda depende da conclusão de alguns estudos. A reitoria informou que a UFJF seguirá seu Plano Diretor, que define as áreas possíveis de expansão predial no campus. A escolha deverá considerar tais áreas e a aprovação do local será feita no CONSU. Após a escolha do local e o início dos trabalhos, a previsão anunciada é de 18 a 24 meses para a conclusão da unidade, segundo a previsão do MEC

Vitória para a comunidade escolar

Para o professor do Colégio João XXIII Thiago Maciel, a construção da nova sede “é uma vitória da organização da comunidade escolar”, dando destaque à mediação feita pela APES e a pressão do ANDES-SN ao MEC, movimento iniciado com a visita do presidente do ANDES-SN, Cláudio Anselmo de Sousa Mendonça, ao colégio de aplicação este ano. Segundo ele, a demanda da integração e da ampliação da sede eram antigas dentro da comunidade escolar. Para Thiago, a sede possuía debilidades como a falta de acessibilidade para PCDs e um isolamento geográfico da comunidade da UFJF, que para ele, também originava um isolamento político, que com a nova sede, será sanado.

Embora considere uma vitória, Thiago alertou para o anúncio da passagem do colégio para ensino integral. Para ele, a escola não possui a mão de obra necessária para o empreendimento, sendo necessária a contratação de novos docentes e corpo técnico-administrativo. Também alertou que o anúncio de uma sede com “35 salas de aula” não contemplaria as atuais 37 turmas existentes no Colégio, sem contar as salas de disciplinas especializadas.

“Não foi um presente, uma dádiva, mas uma conquista arrancada por toda essa organização”

Leonardo Docena, professor do Colégio João XXIII, pontua que a APES acompanhou e fortaleceu a mobilização dos docentes do CA João XXIII em defesa de melhores condições de infraestrutura, levando a reivindicação da nova sede a diferentes espaços de diálogo e negociação. Para ele, a construção no campus da UFJF representa uma conquista histórica da comunidade escolar, mas é fundamental garantir que o projeto seja efetivamente concretizado e acompanhado da ampliação do quadro de docentes, especialmente diante da possível implantação do ensino em tempo integral.

Além disso, o professor destaca um elemento central, de maior preocupação: o momento político em que vivemos. Para ele, com a aproximação do segundo turno da eleição presidencial de 2026, é necessário ter consciência de que o resultado pode consolidar um cenário de fortes perdas e ataques em várias frentes, principalmente na educação pública. “O desafio urgente, portanto, nesse momento, é derrotar a extrema direita nas urnas votando em Lula, no dia 25, garantindo que o pleito de construção de uma nova sede para o Colégio de Aplicação mantenha-se em nosso horizonte.”