APES segue em sua luta na defesa da segurança de estudantes, docentes e técnicos administrativos diante dos desafios do cenário de pandemia e ataques à qualidade da educação no país

Neste momento de excepcionalidade, no qual o Brasil ultrapassa a marca de 104 mil óbitos oficiais decorrentes da Covid-19, e de extrema dificuldade em modificar este quadro diante da irresponsabilidade e descaso do atual governo federal, somos desafiados a encontrar novas formas de defender a vida e de preservar a força de trabalho.
Neste sentido, a APES segue atuando diariamente e em diversas frentes e instâncias, para também defender a manutenção do caráter público do ensino e da preservação da força do trabalho no âmbito das instituições federais de ensino e pesquisa. A construção de protocolos seguros, a discussão sobre a qualidade e universalidade do ensino e a luta pela garantia da vida de toda a comunidade acadêmica e escolar têm sido as bandeiras primordiais da APES neste momento e em diversos âmbitos de sua atuação: nas reuniões virtuais de setor do ANDES Sindicato Nacional; nas permanentes reuniões do Conselho de Representantes; nas reuniões com os membros das comissões que representam o sindicato na UFJF para planejar o retorno das atividades na instituição; no debate feito no Instituto Federal, ampliado com a categoria e com os outros segmentos; e nas assembleias docentes, que têm sido realizadas por meio virtual a fim de garantir a segurança de todos e todas e a continuidade da luta.

APES tem trabalhado na defesa do ensino presencial em condições seguras
Em todos esses espaços, os encaminhamentos se fazem no sentido de reafirmar o ensino presencial como estratégico para um projeto de educação que contribui para a emancipação humana, para o desenvolvimento das forças produtivas no país e para a construção de um conhecimento que possa colocar as condições de vida num outro patamar. Nesse sentido, como afirma a presidente da APES, professora Marina Barbosa, “trabalhamos para fortalecer internamente nossas instituições com a democracia, com o debate sobre caráter público, e com a construção de saídas para esse momento que possam, de fato, serem definidas pela comunidade universitária e escolar, buscando a construção a mais ampla, democrática e consensuada possível”.Foi neste sentido que a APES trabalhou nas comissões da UFJF, construindo proposições a partir das referências elaboradas nas instâncias estratégicas de deliberação do sindicato nacional e local, e que para a construção desse momento de excepcionalidade, de entender a emergência desse momento. De forma mais sintética, trabalhamos a partir dos encaminhamentos da reunião conjunta dos Setores das IFES e das IEES/IMES realizada on-line, no dia 02 de julho do corrente ano, e que foi reafirmado na assembleia docente da APES.

Caráter excludente e limitado do ensino remoto

Assim, nos propomos seguir trabalhando em defesa da educação presencial como estratégica e realizada em um contexto e condições seguras. Neste momento no qual as instituições avançam na aplicação do ensino remoto emergencial (ERE), seguiremos explicitando a insuficiência das ferramentas tecnológicas, a suposta inclusão digital e denunciando o caráter excludente e limitado do ensino remoto, apontando seus aspectos políticos, mercadológicas e pedagógicos.

Nesse sentido, conforme encaminhamentos do setor, a atuação da APES tem sido embasada nos seguintes parâmetros:


a) Atuar na defesa do projeto estratégico de educação presencial e no caso da implantação do ERE explicitar as contradições e as consequências para a precarização da qualidade do ensino e do trabalho docente;
b) Lutar pela garantia e se empenhar para viabilizar a materialidade dos princípios na forma que segue, caso seja implementado o ERE.
b.1- Lutar para garantir a democracia na construção das proposições das Instituições;
b.2- Respeitar e assegurar a liberdade de ensinar e aprender, em tempos de controle ideológico;
 b.3- Construir protocolo pedagógico que prime pelas condições adequadas de trabalho, acesso universal e o padrão de qualidade do ensino;
b.4- Definir ações que superem as desigualdades no acesso, que tem que ser universal, ao se construir como alternativa de ensino nesse momento emergencial;
b.5- Realizar ações para a construção de uma plataforma com software livre, própria, ação que poderia ter acontecido com universidades públicas das regiões e do país, e mesmo com a urgência, esta deve ser uma tarefa que devemos nos empenhar, visto o cenário que se apresenta para o futuro;
b.6- As IES desenvolverem ações abertas de divulgação de conhecimento para a comunidade interna e externa, com atividades em diferentes áreas de conhecimento;
b.7- Transitoriedade do processo, neste momento emergencial.

A APES compreende que seu papel fundamental, neste momento, é o da preservação da vida de toda a comunidade universitária, escolar e suas famílias. E neste sentido, propor mediações importantes no sentido de preservar o projeto pedagógico dos cursos, preservar a condição de trabalho, sem prejuízo profissional dos docentes e das docentes neste momento, sem ameaça à vida dos técnico-administrativos para viabilizar essas mediações, e que possamos realizar tudo isso em orientados e orientadas por protocolos necessários e fundamentais.

Consu aprova Ensino Remoto na Graduação


Após intenso debate em reunião virtual que se estendeu por 16 horas, o Conselho Superior da UFJF aprovou a resolução sobre o ensino remoto emergencial para a graduação. O documento passou por uma revisão feita pela Secretaria Geral da UFJF e foi homologado nesta sexta-feira, 14 de agosto. Acesse a resolução aqui.

A minuta de resolução analisada pelo CONSU foi aprovada pelo CONGRAD, tendo recebido parecer da Comissão Acadêmica de Educação Superior.No CONSU, a minuta recebeu muitas críticas e propostas de alterações, muitas delas, em divergência com a deliberação do CONGRAD e com o parecer da Comissão Acadêmica de Educação Superior.

O debate sobre as propostas de alterações foi marcado por diferentes concepções de universidade pública e de entendimentos do que seja “qualidade da educação”.A representação da APES no CONSU, professora Marina Barbosa, participou ativamente desse debate, defendendo propostas comprometidas com a preservação da força de trabalho docente e com a qualidade da formação dos graduandos, divergindo de formulações que não dialogaram com os princípios históricos que o movimento docente reivindica.

A resolução do CONSU sobre o ensino remoto emergencial instituirá uma nova dinâmica na UFJF que exigirá o acompanhamento crítico, sobretudo em relação às possíveis consequências sobre o trabalho docente. A APES reafirma seu compromisso em manter a defesa dos diretos dos docentes e das docentes, do acesso universal à educação e da qualidade da educação pública. E se compromete a manter-se disponível, atenta e vigilante para garantir a preservação da força de trabalho, almejando que possamos superar a atual condição fortalecendo a instituição e o projeto de educação pública e gratuita, reforçando o lugar estratégico da educação presencial como forma de ensino-aprendizagem. 

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