Em meio a protestos contra a Ebserh, Consu adia decisão

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O Conselho Universitário da UFJF reunido na tarde de terça feira 02 de abril resolveu adiar, após quatro horas de reunião, a decisão da UFJF sobre a adesão ou não à EBSERH. O  Conselho Superior decidiu manter a reunião em aberto e continuar o debate na terça feira que vem no mesmo horário: 16 horas.

Do lado de fora do prédio, representantes do Movimento em Defesa do HU cobravam, com palavras de ordem, o respeito ao resultado do plebiscito realizado no Hospital Universitário que rejeitou a adesão à EBSERH por mais de oitenta por cento dos votos.

Estudantes, Técnicos Administrativos e  professores protestam contra EBSERH em frente ao CONSU
Estudantes, Técnicos Administrativos e professores protestam contra EBSERH em frente ao CONSU

Para Ana Cláudia Rodrigues, Assistente Social do Hospital Universitário,  a adesão à EBERH  é prejudicial  para a assistência da população já que, diante de uma crise financeira que não será resolvida pela adesão, a utilização da porta dupla pela EBSERH, ou seja, com o recebimento de recursos de seguradoras, o risco da diferenciação entre usuários do SUS  e aqueles que têm planos de saúde é grande.  “Além disso,  a gente preocupa com a dimensão do ensino, com o acesso desses estudantes do ensino público, que vai ter de dividir espaço com universidades privadas. Nós tem medo da lógica do lucro também, da produtividade, já que a questão é o mercado, nós preocupamos que a lógica também vai ser inversa, não pela qualidade, mas pela quantidade”, denuncia.

Ana Cláudia Rodrigues  - Assistente Social do HU
Ana Cláudia Rodrigues – Assistente Social do HU

Ela alerta ainda para as consequências da  lógica de produção: “que tipo de pesquisa vai ser autorizada, aquelas que são interessantes pro mercado? Que tipo de financiamento a gente vai ter acesso, com pesquisas que as vezes vão tratar de doenças negligenciadas, por exemplo”.

A opinião é compartilhada pela residente Olívia Veloso. Para ela a EBSERH deve ser rejeitada é uma porta aberta para outras empresas privadas entrarem no hospital. “A empresa abre precedente para selecionar o público atendido, os usuários não tem permanência no hospital, a lógica é o esvaziamento de leitos, a produção, a mercadoria”, finaliza.

Olívia Veloso, residente do Hospital Universitário
Olívia Veloso, residente do Hospital Universitário