MEC ameaça cortar verbas da UFJF por “balbúrdia”

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A UFJF está sob a mira do novo Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Em declarações para Estadão, o ministro ameaçou cortar recursos de universidades que não apresentarem bom desempenho, e que estiverem promovendo o que ele classificou como “balbúrdia”: eventos políticos, manifestações partidárias ou festas inadequadas ao ambiente universitário; “festa, arruaça, não ter aula ou fazer seminários absurdos que agregam nada à sociedade”, segundo o jornal. Nesse sentido, o ministro afirmou que a Universidade Federal de Juiz de Fora está sob avaliação.  

Além de ameaçar a UFJF, três universidades tiveram 30% das suas dotações orçamentárias anuais bloqueadas: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Essa ação do governo, via Ministro da Educação, é uma medida que expressa a intenção de implementar, autoritariamente, seu projeto para a educação superior, que pretende uma educação para as elites e a serviço de gerar mais lucro para o grande capital. A censura com imposição de perspectiva ideológica via corte orçamentário revela opção de destruir a autonomia e democracia nas Universidades. A UFJF é um patrimônio, e como tal, deve ser defendida por todos e todas.  Fazemos um chamado a essa defesa”, afirma Marina Barbosa, presidente da APES.

Além das ameaças à autonomia e à liberdade de expressão nas universidades, o ministro alegou que UnB, UFBA e UFF tiveram queda no desempenho. No entanto, conforme diversos indicadores, elas se mantêm em destaque em avaliações internacionais.

A medida vem em meio ao bloqueio de quase 6 bilhões para a Educação, pasta que sofreu o maior contingenciamento com o Decreto Federal de março desse ano. Apesar de ter atingido todas as universidades do país, as declarações do ministro comprovam a estratégia de ataque à produção de conhecimento e a censura ao pensamento crítico e reflexivo produzido nas instituições públicas de ensino.

ANDES-SN

O ANDE-SN publicou também uma nota de repúdio às declarações do ministro e convocou a categoria para a construção da greve da educação em 15 de maio. Leia a nota aqui.