Nova Diretoria e Conselho de Representantes são empossados em cerimônia virtual

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 Em clima de emoção, falas políticas e saudações, a nova diretoria da APES, biênio 2021/2022, tomou posse em assembleia virtual, realizada no final da tarde de quarta-feira, 03 de março.
A professora Marina Barbosa, que deixava o cargo de presidente do sindicato, abriu as falas ressaltando a gravidade do momento vivido pelo país, mas apontando a importância da renovação da luta sindical que se colocava no momento. Ela agradeceu à Comissão Eleitoral pelo trabalho, citou os nomes dos docentes que deixavam a diretoria e leu o relatório de gestão, enquanto uma sequência de fotos fazia uma retrospectiva das lutas empreendidas pela gestão.
A professora Daniela Motta, aposentada do CA João XXIII, leu o parecer aprovando a prestação de contas pelo Conselho de Representantes, ressaltando a recuperação econômica da APES após a realização do esforço de reforma da sede.
A professora Marina leu ainda o termo de posse, passando a palavra para o professor Augusto Cerqueira, novo presidente da entidade, que relembrou sua primeira assembleia em 2016, quando percebeu a importância da militância no movimento para a defesa dos direitos docentes e da educação. Logo após traçou uma análise da atual situação de crise do capitalismo, da ampla retirada de direitos, da crise brasileira, com desemprego, empobrecimento da população, privatização e desmonte do estado, com destaque para os cortes de orçamento que afetam em cheio as instituições de ensino públicas. Mas apontou também para a esperança da renovação da luta. “Mas o que há de positivo somos nós, construindo coletivamente nossa luta, por isso a participação de todos é imprescindível. A mobilização é fundamental para mudar a correlação de forças. É preciso que estejamos cientes da conjuntura para intensificar a participação nas instâncias da APES”, ressaltou.
A solenidade contou com a presença do Reitor da UFJF, Marcus David, que afirmou a importância da atuação da APES e da professora Marina nos debates realizados no Conselho Universitário. Reconheceu as sérias dificuldades de relação com o governo federal e apontou a questão do financiamento como ponto mais grave. Marcus David tocou também, em sua fala, na questão do desrespeito do governo frente às escolhas democráticas dos dirigentes das instituições.
O técnico administrativo Flávio Sereno falou da conjuntura de pressão sobre os reitores e professores, com a tentativa de amordaçar os divergentes e revelou a falta que a aglomeração tem feito na resolução de problemas e construção das lutas conjuntas e “nesse embate, não podemos nem mesmo explorar as contradições do governo entre fala e ação, já que os atuais mandatários sempre foram contra o serviço público”, disse.
Presentes também na posse, a vice reitora da UFJF, Girlene Alves, a Secretária Geral da UFJF, Bárbara Inês Ribeiro Simões Daibert, o representante do SINASEFE Rio Pomba, Wildson Justiniano Pinto o Vice Presidente da Regional Leste do ANDES-SN Mário Mariano e o  1º Secretário da Regional Leste do ANDES-SN, Gustavo Seferian Scheffer Machado (UFMG)
Presidente do ANDES
A presidente do ANDES-SN, Rivânia Moura, se disse muito feliz por estar na assembleia de posse da APES e fez uma saudação a todos os professores que dedicam seu tempo e sua vida para a luta. “Parabenizar por toda a história da Marina e o que ela representa a todos nós e o que ela nos ensina e nos encoraja”.
Em seguida, fez uma análise dos ataques que trabalhadores e trabalhadoras vêm sofrendo. Falou sobre o momento difícil de crescimento da pandemia e da campanha que o ANDES-SN vem realizando em defesa do Lockdown, com auxílio emergencial e vacina para todos como única saída para a crise. Colocando ainda o Fora Bolsonaro como parte importante, conclamando a unidade dos trabalhadores para a luta.
Por fim, ela concluiu recitando um poema de Pablo Neruda “Não me Peçam”
NÃO ME PEÇAM
Pedem alguns que este assunto humano
com nomes, sobrenomes e lamentos
não os aborde nas folhas de meus livros,
não lhes dê a escritura de meus versos.Dizem que aqui morreu a poesia,
dizem alguns que não devo fazê-lo:
a verdade é que sinto não agradar-lhes,
os saúdo e lhes tiro meu chapéu
e os deixo viajando no Parnaso
como ratos alegres no queijo.Eu pertenço à outra categoria
e só um homem sou de carne e osso,
por isso se espancam a meu irmão
com o que tenho a mão o defendo
e cada uma de minhas linhas leva
um perigo de pólvora ou de ferro,
que cairá sobre os desumanos,
sobre os cruéis, sobre os soberbos.Mas o castigo de minha paz furiosa,
não ameaça aos pobres nem aos bons.
Com minha lamparina busco aos que caem,
alivio suas feridas e as fecho.E estes são os ofícios do poeta,
do aviador e do que trabalha na pedreira:
Devemos fazer algo nesta terra
porque neste planeta nos pariram
e temos que arrumar as coisas dos homens
porque não somos pássaros nem cachorros.E bem, se quando ataco o que odeio
ou quando canto a todos os que amo
a poesia quer abandonar
as esperanças de meu manifesto,
eu sigo com as tábuas de minha lei
acumulando estrelas e armamentos.No duro dever americano,
não me importa uma rosa mais ou menos.
Tenho um pacto de amor com a formosura,
tenho um pacto de sangue com meu povo.