Policiais baianos continuam em greve e governo finge que negocia

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Em greve há mais de uma semana, os policiais militares baianos continuam acampados na Assembleia Legislativa. O governador Jaques Wagner (PT/BA) diz que não vai anistiar os grevistas, nem se mostra disposto a pagar mais do que os 6,5% anunciados anteriormente, que apenas repõe a inflação do ano passado. Diante da intransigência do governador, outras categorias têm declarado apoio aos policiais. A Associação dos Docentes da Universidade de Feira de Santana (Adufs) é uma delas.

“Neste momento, cabe ao governo negociar efetivamente com as entidades representativas dos policiais, cumprir os acordos já feitos, respeitar o direito de greve e não punir nenhum participante do movimento”, defende a Adufs, em nota encaminhada à imprensa.

No texto, a Associação critica o governador baiano de não priorizar as áreas de saúde, educação e segurança, precarizando, assim, os serviços públicos prestados à população.

Também diz que é falacioso o argumento de que a greve é a causa única do aumento da violência em Salvador. “Ela aparece agora com mais intensidade do que aquela que reina entre nós, e pela qual ele, sim, é um dos responsáveis. Tanto pelo que ele não faz para diminuir a pobreza e a falta de oportunidades para boa parte dos baianos, quanto pela própria falta de condições de trabalho na área da segurança pública”, acusa a nota.

Para a Adufs, a atual greve da PM baiana tem um efeito pedagógico, pois mostra a verdadeira face autoritária e demagógica dos governos estadual e federal, que “criminalizam os movimentos sociais, descumprem acordos, reprimem greves legítimas e recusam-se a negociar”.

O viés autoritário do governador baiano está presente na sua decisão de não conceder anistia. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, nenhum policial militar foi punido por participar das últimas greves da corporação, realizadas no Ceará, Maranhão, Piauí e Rio de Janeiro. O caso da Bahia, se confirmado, será o primeiro dos últimos anos.

Greves em outros Estados
Apesar de dizer respeito diretamente ao governo da Bahia, a greve tem preocupado o governo federal, que mandou 2,8 mil homens da Força Nacional para reforçar a segurança em Salvador. O grande medo do Palácio do Planalto é que corporações de outros estados também façam greves, reforçando a mobilização para que seja aprovada a PEC 300, que cria um piso salarial para os policiais e obriga o governo federal a contribuir para que os estados possam arcar com a nova despesa.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a presidente Dilma Roussef também resolveu desengavetar um projeto de lei que disciplina a greve dos servidores. O texto estaria na Casa Civil e pode ser enviado para o Congresso Nacional a qualquer momento.

O projeto de lei, segundo o jornal, estabelece que a greve deve ser deflagrada por pelo menos dois terços da categoria e, caso aprovada, os grevistas devem manter 40% do pessoal trabalhando.

Leia, aqui, o texto da Adufs.

Quem também manifestou solidariedade aos policiais baiano foi a CSP-Conlutas, cuja nota pode ser lida aqui.

Fonte: ANDES-SN