Confira as principais do evento, que atualiza o Plano de Lutas do Sindicato

Entre os dias 11 e 13 de julho, a delegação da APES participou do 68º Conad.
Representaram nossa seção sindical Jean Ramos (delegado), Renato Gonçalves, Lisleandra Machado, Geísa Soares, Cristina Fávero e Leonardo Andrada (observadores/suplentes).
Realizado em Manaus (AM) com organização da Associação dos Docentes da Ufam (Adua – Seção Sindical do ANDES-SN), o evento reuniu 83 seções sindicais presentes, sendo 2 convidadas, 80 delegadas e delegados, 194 observadoras e observadores, 34 diretoras e diretores nacionais, cinco convidadas e convidados, três acompanhantes, quatro crianças, além de 32 trabalhadores e trabalhadoras da imprensa, jurídico e administrativo do ANDES-SN e seções sindicais, totalizando 352 pessoas presentes no evento. O Conad tem o objetivo de atualizar o Plano de Lutas do Sindicato Nacional.
Confira as principais deliberações do evento, com cobertura da imprensa do ANDES-SN.
Posse da Nova Diretoria

No primeiro dia de evento, 11 de julho, foi realizada a mesa de abertura conduzida por Gustavo Seferian, presidente do ANDES-SN, que encerrou sua gestão neste Conad. A mesa contou com a participação de representantes da Adua SSind., de outras entidades sindicais, de movimentos quilombolas e indígenas, além de diretoras e diretores do Sindicato Nacional, tanto da gestão anterior quanto da nova diretoria empossada na manhã desta sexta-feira.
Na ocasião, foi realizada a cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato Nacional para o biênio 2025/2027, eleita em maio deste ano. Cláudio de Souza Mendonça, Fernanda Maria Vieira e Sérgio Barroso assumiram, respectivamente, os cargos de presidente, secretária-geral e 1º tesoureiro. Foi feita ainda a chamada nominal de toda a diretoria, composta por 83 diretores e diretoras, para a assinatura simbólica do ato de posse.
Cláudio de Souza Mendonça, novo presidente do ANDES-SN e primeiro presidente negro do Sindicato Nacional, realizou um discurso marcado pela emoção e pelo compromisso político. Ele destacou a importância dos laços construídos ao longo da trajetória de militância sindical e reforçou a urgência da luta coletiva diante dos ataques aos direitos da classe trabalhadora e da ascensão da extrema direita.
Conjuntura e movimento docente
Também no primeiro dia de evento, foi realizada a Plenária de Atualização da Conjuntura e do Movimento Docente. A disposição para construir unidade de ação para enfrentar as ofensivas do capital, em defesa dos direitos da classe trabalhadora, do meio ambiente, da educação e por uma outra forma de sociabilidade permeou as diversas análises apresentadas nesta plenária.
Foram apresentados sete textos de análise que, apesar de pontos divergentes, convergiram na necessidade de ampliar a denúncia do genocídio do povo palestino, promovido pelo Estado de Israel, e outras guerras que têm sustentado o processo de reorganização do imperialismo mundial. Também apontaram a urgência de combater a expropriação devastadora dos recursos naturais, bem como os ataques aos direitos da classe trabalhadora em escala global.
Várias manifestações reforçaram a importância deste Conad garantir resoluções que atualizem a agenda de luta da categoria em diálogo com temas prementes da conjuntura como o fim da Jornada 6×1, a taxação dos super ricos, a reforma tributária, e ainda a adesão do ANDES-SN ao Plebiscito Popular, que trata dessas temáticas.
Outras pautas também foram recorrentes como a necessidade de intensificar a luta em defesa de 10% do PIB para a Educação pública, contra o Novo Arcabouço Fiscal, contra as reformas Administrativas, contra o PL da Devastação, pela recomposição dos orçamentos das universidades públicas, institutos federais e cefets, bem como pelo cumprimento integral do acordo da greve da educação federal e contra a tentativa de privatização da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).
Leia cobertura da Plenária aqui.
Aprovação de resoluções do 43º Congresso
Durante a noite de sábado (12), delegados e delegadas do 68º Conad do ANDES-SN deliberaram sobre itens remetidos pelo 43º Congresso, realizado em Vitória (ES), no início deste ano. As resoluções compõem o Plano Geral de Lutas do Sindicato Nacional.
Dentre as principais deliberações desta plenária, destacamos:
Solidariedade ao povo palestino: aprovaçao, no âmbito das Políticas de Formação Sindical, que o ANDES-SN incentive as Seções Sindicais a tomarem iniciativas para concretizar as deliberações em relação ao Boicote, Desenvolvimento e Sanções (BDS),com o objetivo de fortalecer a luta contra o genocídio na Palestina, promovido pelo Estado sionista de Israel, e ampliar a solidariedade do povo palestino.
Seguridade Social e Aposentadoria: foi aprovado aprofundar o debate sobre a situação específica de docentes que entraram na carreira após 4 de fevereiro de 2013, quando foi criada Funpresp. O Sindicato Nacional também seguirá na luta pelo reposicionamento e reenquadramento, na carreira docente, dos aposentados e das aposentadas.
Acessibilidade: que o ANDES-SN amplie a participação nos espaços do sindicato de pessoas idosas, com deficiência e com mobilidade reduzida. E que realize debate sobre medidas de atenção, no âmbito das instituições de ensino, direcionadas a docentes idosos e idosas;
Ciência e Tecnologia: luta pelo financiamento necessário ao desenvolvimento e manutenção de plataformas tecnológicas públicas, fortalecendo a integração de diferentes níveis de educação pública.
Comunicação e Arte: realização do VIII Encontro de Comunicação e Arte e o III Festival de Cultura e Arte do ANDES-SN, no segundo semestre de 2025. Houve também a preocupação em aprovar a garantia de uma política de atualização permanente do site do ANDES-SN e estimular a atualização dos sites das seções sindicais, com o objetivo de manter os canais de comunicação ferramentas acessíveis e fortalecer a comunicação com a categoria e toda a sociedade.
Campanha piso salarial: foi lançada a campanha “Piso Salarial Nacional: Lutar, Conquistar, Valorizar!”, conforme deliberação do 43º Congresso do ANDES-SN. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a divulgação do piso da educação básica, que passa a ser referência na luta pela construção de uma carreira única para o magistério, defendida pelo Sindicato Nacional.
Cobertura completa desta plenária, aqui.
Atualização das Lutas dos Setores
No período da manhã do último dia do evento, as e os participantes se dedicaram às discussões e deliberações da atualização do Plano de Luta dos Setores das Instituições Estaduais, Municipais e Distrital de Ensino Superior (Iees, Imes e Ides) e das Instituições Federais de Ensino (Ifes).
Iees, Imes e Ides
A possibilidade de extinção ou privatização da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) foi o ponto principal do debate do plano do Setor das Iees, Imes e Ides. A categoria enfrenta uma forte luta na Uemg contra o governo de Romeu Zema (Novo) que, para pagar as dívidas do estado com a União no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), editou dois projetos de lei que se forem aprovados significarão o fim da universidade.
Setor das Ifes
Na atualização do Plano de Luta das Federais, o foco foi na discussão de estratégias de enfrentamento à reforma Administrativa, pelo cumprimento integral do acordo firmado na greve da Educação Federal de 2024 e demais ataques aos direitos de servidoras e servidores, como a Instrução Normativa (IN) 71/2025, que muda as regras para receber o auxílio transporte, vedando o uso de transporte próprio e vinculando a concessão ao controle de presença.
Para ampliar a mobilização conjunta, o Sindicato Nacional irá propor ao Sinasefe a realização de uma campanha e ações conjuntas, em níveis nacional e local, pela publicação da alteração do Decreto 1.590/1995, acerca do controle de frequência da categoria do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), responsabilizando o Ministério da Casa Civil e nomeando o ministro Rui Costa como inimigo dos e das docentes EBTT. Será ainda organizada uma reunião entre a coordenação do Setor das Ifes e as seções sindicais em que vigora o controle de frequência, para avaliar estratégias de luta em articulação com o Sinasefe.
Ainda sobre o acordo de greve, também será intensificada a defesa da instalação, no âmbito das negociações com o governo, do grupo de trabalho para discutir as questões de carreira e também do grupo de trabalho para reenquadramento dos aposentados e das aposentadas no nível equivalente ao da sua aposentadoria. Será ampliada também a luta pelo fim da contribuição previdenciária de servidores e servidoras aposentadas, debatendo os projetos de lei sobre o tema que tramitam no Congresso Nacional.
Foram deliberadas ações conjuntas com as demais entidades do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) para pressionar o governo federal e o Congresso Nacional em defesa do funcionalismo e dos serviços públicos.
Em unidade com Fasubra, Sinasefe e entidades estudantis, o ANDES-SN irá propor a construção de um calendário de lutas no segundo semestre em defesa da recomposição dos orçamentos das Instituições Federais de Ensino, articulado com a luta pela revogação do novo arcabouço fiscal e quaisquer medidas de cortes e contingenciamentos. Também será feita uma articulação com as entidades de gestores das Ifes para discutir uma campanha unificada pela recomposição dos orçamentos dessas instituições e o debate sobre o orçamento de 2026.
Ainda sobre as questões orçamentárias, as seções sindicais deverão promover atividades de debate e mobilização nos locais de trabalho, em articulação com as demais entidades da educação, sobre a luta pela recomposição dos orçamentos das Ifes e para pressionar que as direções a disponibilizar dados atualizados sobre os impactos dos cortes e contingenciamentos nas atividades acadêmicas.
Pelo Fim da Lista Tríplice
Os e as participantes ainda discutiram, no debate da atualização do Plano de Luta dos Setores, a divulgação, no segundo semestre, de materiais de comunicação, dando visibilidade à luta pela extinção de lista tríplice para a escolha de reitores e reitoras nas Iees, Imes, Ides e Ifes, em consonância com o Dia Nacional de Luta pelo Fim da Lista Tríplice aprovado no 43º Congresso, ressaltando as interferências e os problemas causados pelas intervenções autoritárias nas universidades públicas.
